* Mas o propósito principal, como não o poderia deixar de ser, era de desfrutar em pleno dos trilhos percorridos e deixar-se absorver pela aventura e pelos imprevistos destas mesmas jornadas, juntando o útil ao agradável, ou seja, aproveitamos para fazer um breve reconhecimento do percurso, avaliar as suas dificuldades, confirmar como estavam as marcações e revisitar a mítica serra da Labruja.
* Partilho assim com vocês três jornadas épicas pelo Caminho, o qual como bem sabem, nunca pára de nos surpreender, pois ele acaba por ser, em última análise, muitas das vezes o nosso próprio caminho.
1ª. Jornada. O Efeito Monster Energy (Ermesinde - Famalicão - Póvoa de Varzim - Ermesinde).
* Proponho-vos que me acompanhem num breve exercício de reflexão? Estão prontos? Ora aí vai.
Imaginem que nunca jamais em tempo algum costumam ingerir CAFEÍNA, vários são as razões, mas as principais definem-se por alterar de forma substancial o vosso sistema nervoso e afetar de sobremodo o vosso delicado sono. Estão a seguir-me? Bem, será recomendável a ingestão de bebidas energéticas com uma boa dose da dita substância por parte de certos mafarricos abstémios? Levantar-se-á o véu sobre o assunto mais adiante....
* Sucede que inicialmente tínhamos programado seguir o caminho até Famalicão e chegar à Sé de Braga mas, como me lembrei a meio do percurso de desencaminhar o meu grande amigo desta guerra, Rui Russo, para pagar um café aqui à rapaziada em Famalicão, os planos foram alterados e resolvemos percorrer a Ciclovia que liga esta mesma cidade à Póvoa de Varzim.
* Para quem não conhece, recomendo vivamente este lindo percurso já que conseguem atualmente, embora o troço depois de São Pedro de Rates ainda não esteja acabado e o piso se apresente bastante irregular, chegar ao centro da Póvoa de Varzim, mais precisamente junto do terminal do Metro do Porto.


* Quanto a minha pessoa, tirando o facto de andar a arrotar o resto do serão a famosa bebida, ficou a certeza de que, para a próxima, será mais conveniente ser eu a ir buscar a água ou melhor ainda, saborear o meu tão precioso doping, o afamado TANGO.
* E por falar nisso, não vos apetece já um cafézinho?????
2ª. Jornada. O Caminho leva-nos a bom porto (Ermesinde - Famalicão - Braga - Ermesinde).* E por falar nisso, não vos apetece já um cafézinho?????
* Desta vez não nos desviamos da rota inicial traçada e lá conseguimos chegar a meio da tarde, sem qualquer inconveniente, junto da Sé Catedral de Braga.
* Mas meus caros betetistas, com isto não quis dizer que não houvesse surpresas pelo meio.


* A terceira e última foi aperceber- mo-nos de que muita da população e comerciantes locais não fazem a mais pequena ideia do que é o Caminho de Santiago, tampouco que ali passa junto das suas portas, desperdiçando, na minha opinião, uma boa oportunidade para dinamizar a economia local com uma efetiva rede, devidamente divulgada e sinalizada, de apoio ao peregrino.
* Depois das fotos da consagração do dia, junto da Sé Catedral, em Braga, aí encontramos um casal sexagenário, de nacionalidade belga (não apontei os nomes dos mesmos, falha grave deste atleta), que tinham à bem pouco tempo concluído a peregrinação a pé do Caminho Francês de Santiago e encontravam-se neste momento num curto gozo de férias no nosso país. Lá tivemos em amena cavaqueira, trocando experiências vividas no Caminho, sendo que aproveitei para lhes dar o endereço do nosso blog para eles consultarem o percurso realizado recentemente a partir de Viseu e que eles desconheciam, despedindo-nos depois com toda a admiração e o respeito devido.

* Soube mais tarde que os mesmos peregrinos tinham deixado nos posts do nosso blog um comentário de apreço e de agradecimento, mas não tive tempo de o ver já que o mafarrico responsável pelo combate anti-spam fez jus à sua eficiência e prontamente se encarregou de o mandar para a reciclagem universal...... Valeu ao menos pela luta eficaz deste últime contra esses f... d. p....do SPAM!!!!
3ª. Jornada. Um rebuçado do catano e a mítica Labruja (Braga - Ponte de Lima - Valença - Ermesinde).

Pois é, saco eu dos bolsos do casaco, todo vaidoso, de vários rebuçados do catano, distribuídos para serem degustados prontamente e eis que, iniciando-se as hostilidades, ouve-se um ligeiro mas estridente estalar de dente, resultando numa folga apreciável no teclado do mafarrico em causa, com ligeira diminuição de peso corporal e um consequente imbróglio dentário para gerir durante o resto de fim de semana.... Ah grandes rebuçados do catano.....
* Nada que nos demovesse do objetivo traçado, começamos a pedalar pelas 10H15, em direção a Ponte de Lima.
* Verificamos que, nesta fase, o Caminho encontra-se amplamente bem sinalizado, não deixando margens para dúvidas.
* Os vários trilhos rurais conquistados eram divertidos e variados, alguns a exigir atenção redobrada.
* Ao Caminho de Santiago corresponde em grande parte ao itinerário da Via XIX Romana., devidamente assinalada.
* Pelas 12H50, ao Km 34 sensivelmente, chegamos a Ponte de Lima, onde aproveitamos para restabelecer as energias, tirar as fotos da praxe, uma das quais e já é tradição nossa, vai-se lá saber porquê, tem de ser enviada ao Pimenta.....
* O dia estava fantástico, as almas estavam preenchidas (o dente ainda estava no sítio....) pelo que tínhamos de recomeçar a pedalar, pois a nossa visita à Labruja, até ao Km 47, no alto da Portela Grande, ia exigir um esforço redobrado.
* Desabafo: a Labruja desnuda-nos completamente, física e mentalmente, para de seguida voltar a preencher a nossa alma, sem pedir nada em troca e apontar-nos o Caminho a seguir, ela é uma torrente de mil emoções que cada um de nós vive de forma diferente, compreende-se o fascínio que ela exerce sobre quem a visita. A Cruz dos Franceses (assinala o local onde a população emboscou os retardatários do exército de Napoleão, nas invasões francesas de 1809) já clamava pela nossa presença. É costume dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. Srs e Srªs, meninos e graúdos, se me é permitido, apresento-vos a Labruja.
* Já no alto da Portela, as emoções estavam ao rubro, o Sérgio tinha finalmente realizado um dos seus propósitos e, apesar do cansaço mais que evidente, estes dois Betetistas surgiriam das cinzas, totalmente purificados e com as baterias recarregadas.


* Caros Betetistas, assim demos por terminado estas 3 jornadas, com um até já e não um adeus diga-se, no mais puro espírito do BTT, as quais só reforçaram a minha admiração, em geral, por este pequeno país à beira mar plantado, chamado de PORTUGAL, e ,em particular, pelo Caminho de Santiago e o espírito do peregrino.

Sousa "Trepador"


4 comentários:
Custa-me um bocado ver estes relatos. São as circunstâncias da vida de um carunchoso mas que num futuro próximo certamente serão alteradas. Um dia tereis que me acompanhar nesse trajecto, principalmente na zona da Labruja, pois infelizmente ainda não conheço.
Cuidado com os "monsters"! Eheh!!!
Xouriço,
acho bem ficares operacional pois cá estarei para te azucrinar essas orelhas durante as subidas :)
As descidas, lá terá que ser, não é.....
Xouriço, em primeiro lugar a que recuperar e sem stress, Depois lá vais ter de levar com os nossos treinos intensivos de puro BTT :-). Já fazes falta nas descidas:-)!!!
Quantos ao Monster é preciso ter cuidado!! aquilo mata qualquer um :-)
Ver noticia:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=598146
Estes Xouriços andam a fazer uns treininhos intensivos pela surra, só os 2...
Depois ninguém os para.
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