Esta é a crónica de um regresso às origens do
Puro BTT.

Para mais um percurso no nosso calendário betetista deste ano, marquei com os meus dois amigos e companheiros do costume nestas andanças,
Trilhos e
Saca Saca, para fazermos o track de
Pedorido, Castelo de Paiva.
Dia espectacular com bastante calor à mistura, o

que deu para desfrutar em pleno das paisagens soberbas do Douro e dos caminhos percorridos.
Início do percurso pelas 09H30 junto ao areal do rio e seg

uimos inicialmente por estradão e depois por estrada em direcção ao alto do Santuário de São Domingos da Serra, uma espécie de alto de Nª Sr.a da Graça em miniatura, cuja capela e peculiares sinos se avistam constantemente durante a aproximação e respectiva ascensão, subida esta bem dura e muita acentuada até chegar aos quase 440 metros de altitude. Por esta altura, minha primeira

reflexão do dia: o
Saca Saca também já deve andar metido na rede de suplementos e outros afins do Pelotão Internacional pois fez uma belíssima subida e sempre num ritmo constante, sendo que o
Trilhos estava um pouco mais para trás e segundo ele e passo a citar:
“Ah e tal, é que eu tenho que parar para tirar fotografias senão ninguém regista nada...” a máquina dá cá um jeitaço!
Chegada enfim ao alto para as fotos

da praxe à paisagem soberba e respectivo santuário
. De referir o cumprimento integral da sinalização de trânsito por parte do
Trilhos nesta fase.
Descemos por trilhos mais ou menos técnicos,

com passagem por uma antiga mina da carvão,
a Mina do Folgoso, depois era um sobe e desce constante, com diversos e variados caminhos, desde estrada em alcatrão, em terra batida, singletracks com passagens no meio da vegetação, etc..., simplesmente BTT Puro, isto para grande gáudio do
Trilhos que é fã incondicional deste tipo de aventuras.
O Calor já apertava bastante e a malta já estava a ficar seco, fontes e pontos de água nem vê-los, os que existiam estavam selados; entre o km16 e 20, altura para um encontro imediato do terceiro grau com um benemérito cidadão local (que se encontrava em casa), o qual questionado acerca da localização mais próxima de um ponto de água , disse o seguinte: “ fontes próximas não existem mas continuam a descer cerca de 3 ou 4 kms e depois de passar uma ponte, a
Ponte Arda, o morador da casa logo a seguir é um gajo Porreiro e dá-vos água quase de certeza...” Porreiro Pá, Porreiro! E com sorte ainda se encontra um oásis com umas gajas de Ermesinde não?

Bem, ossos do ofício, prosseguimos, passando pela ponte, casa do Homem da Água nem vê-la, até que ao km 22, encontramos uma fonte junto a um lavadouro público, local marcado e de passagem do Track. Seguindo o trilho, chegamos a um ponto, junto a um terreno agrícola, em que não havia mais passagem a não ser pelo riacho. O GPS é como o algodão, não engana e assinalava o percurso por ali, pelo que, após umas breves vistorias aos possíveis caminhos ali existentes

– isto depois de confirmar se o dono do terreno não se encontrava por perto – o
Trilhos descobriu que afinal o percurso estava mesmo à nossa frente só que estava era cheio de vegetação

com picos e
completamente tapado, provavelmente sendo um trilho antigo pelo que já estão a adivinhar o que se seguiu:
Puro BTT meus amigos! Primeiro o
Trilhos confirmou se era esta a passagem e se dava para a estrada, confirmação positiva, foi embrenhar-se pelos picos e vegetação selvagem com as burras as costas, com notícias de avistamentos de cobras pelo meio – era bom para alguém que eu conheço – até chegar à estrada uns 100 m mais acima, com a malta cheios de riscos....
Mais uma subida final até

ao km 28, seguida de uma descida vertiginosa e em que até o
Saca Saca se queixava das mãos de tanto travar devido à inclinação, com uma passagem de grande beleza pelo Rio Arda que atravessamos, seguido de uma descida em que me espalhei ao comprido devido à lama e a uma ilusão de óptica de uma poça de água que mais parecia um buraco negro! Depois da 2ª fonte ao km 33, paramos mais abaixo num tasco para abastecer em que eu e o
Saca Saca pedimos à senhora já de meia idade e toda simpática para fazer duas sandes de queijo e de fiambre, coisas simples mas que fizeram movimentar meio café!! Espaço para uma conversa agradável com a mesma visto que ela referiu que me conhecia de algum lado, o que retorqui que dali era impossível pois nunca tinha andado

por estas bandas e era residente na terra das gajas boas, sendo que ela ripostou que sua filha em tempos morou e estudou em
Ermesinde, numa Rua com um certo nome peculiar; Bem estava já a barraca a ser armada e não tendo a sorte e a honra da filha da Senhora estar presente para tirar as dúvidas, metemo-nos a caminho até Pedorido por singletracks primeiro e depois por estrada até chegar ao ponto de partida inicial.
Um percurso Puro BTT excelente, exigente mas para desfrutar amplamente do ambiente circundante. Porreiro Pá!
O Trepador 