
Gaius Julius Caesar (110-44 aC)
Munidos do espírito guerreiro e obstinado dos nossos antepassados, o mesmo espírito indomável, que levou os Romanos a passar algumas amarguras, na nossa terra, e a recorrer vergonhosamente a traidores e sabotagens para conquistar a pax romana. Eu e o Sérgio “Fugas”, fomos até à zona de Paços de Ferreira, descobrir os trilhos que serpenteiam até à Citânia de Sanfins. Juntamente connosco levamos outros 3 mais fraquinhos, com muito menor espírito Lusitano, (são dois mil anos de genes guerreiros que se perderam) e que face as adversidades munem-se logo de máquinas velocipédicas topo de gama, de forma a irem a pedalar como se fossem no sofá, foram eles o Sousa “Trepador”, Pimenta “Saca Saca” e Santiago “Beep Beep / Kiko”.
Logo á partida, tivemos um caso flagrante, de como a nossa herança genética, de homens de espírito indomável e dureza implacável se tem deteriorado ao longo dos sécu
los: o “Beep Beep”, com a preguiça de colocar o suporte da bicicleta mais a jeito, anda de escadote para chegar ao tejadilho do carro... o Viriato deve andar às voltas no túmulo.
Na parte inicial do trilho pudemos ver que o fogo fez bastantes estragos naquela zona, e se calhar ainda a pensar na destruição causada pelo fogo, num declive mais acentuado o “Beep Beep” deu uma cambalhota, quase em câmara lenta, sem consequências, pelo menos pensamos nós...
Após termos passado por uma capela, onde o Papa Pimenta I e último, deu o seu sermão e em seguida pela capela do “S. Calhau”, (Srª do Socorro).
Chegamos finalmente ao objectivo (o meu pelo menos) à capital dos povos Calaicos – Brácaros, a Citânia de Sanfins (fundada entre 138 e 136 a.c.).Após a subida da rampa que vai dar mesmo ao topo onde se encontra fundada a cidade, verificamos que a mesma encontrava-se fechada.
Bem a contar com a elevada capacidade militar dos nossos ancestrais não iria ser nada fácil invadirmos a cidade.
Mas afinal nem foi preciso muito, o portão era alto, mas a muralha era apenas um degrau, nesta altura comecei a pensar que afinal a fama de guerreiros irredutíveis, não estava a correr muito bem, face á facilidade com que nos infiltrámos pelas muralhas da cidade, mas o lado bom é que deu para visitar a citânia.
De passagem pela necrópole o Sousa “Trepador” resolveu experimentar o “conforto” de um dos túmulos e arriscar ser amaldiçoado pelo locatário, que de certeza não deve ter gostado da intromissão. Mas já ninguém respeita os mais velhos, nem depois da morte. Trepador, só espero que não venha por aí uma crise de salapismo para ti.
Ainda fomos bater à porta da taberna da cidade, onde no interior e a julgar pelos banquetes do Axterix, Obelix e companhia, que também são desta época, se devia estar a comer javali e a beber cerveja pelas pipas, mas ninguém nos abriu a porta, já deviam estar escarmentados, com a malta do Porto.
Já à saída da citânia, descobrimos a razão de termos entrado no complexo sem ninguém notar, o coitado do sentinela estava sozinho e abandonado num monte de calhaus, do outro lado da citânia, claro não havia “operacionalidade” que lhe valesse, sozinho, para patrulhar um complexo tão grande (fomos-lhe dar um abraço, nós bem sabemos o que ele sente).
Saímos da citânia e seguimos o nosso caminho, quase sempre por trilhos, mais ou menos técnicos.
A cerca de 10 km do fim, alguém do ECOBIKE, deve ter contactado o Beep Beep, com ordens de sabotagem e tal e qual os traidores, Minuro, Audax e Ditalco, cumpriu-as imediatamente. Partiu de propósito o desviador traseiro, para acabar com o passeio logo ali.
Após a cirurgia forçada à bicicleta, feita pelo Sérgio “Fugas”, (claro um dos duros Lusitanos), que prontamente sacou da sua mochila todas as ferramentas necessárias, e remediou a situação. Lá tivemos que recorrer ao alcatrão e voltar da forma mais célere possível aos carros.
De onde partimos imediatamente para o restaurante, onde o “Beep Beep” com a consciência pesada, acabou por se redimir da sabotagem.
Ficou para trás um percurso muito bom, praticamente todo em trilho, com muito pouca estrada, e mais uma lição de História.
