Mas então o que leva a que alguém (nós neste caso) se faça ao caminho, a pé, por um caminho comprido, pedregoso, difícil e de certa forma perigoso, para chegar um local tão desagradável?
Começa com o meu já antigo fascínio com a “conquista ” de pontos altos, uma “enfermidade” que me persegue desde a infância. Enfermidade esta, que aqui há uns anos descobri que tem nome e que possui milhões de doentes espalhados pelo mundo, afinal eu sofro de Peak Bagging.
E tal e qual um vector, contagio quem se encontra à minha volta com a minha doença.
E sendo assim arrastei os meus amigos, “Trepador", ”Saca Saca" e “Fugas”, para este mundo. Há bastante tempo que o Pico da Nevosa me persegue, mas como o trilho mais mítico do PNPG, o Trilho dos Carris, se encontra na zona de protecção total, tenho vindo a adiar a “conquista” deste cume.
O trilho em si, tem cerca de 10 km e segue sempre o vale do Rio Homem até às, há muito abandonadas, Minas dos Carris (Volfrâmio), mais uns cerca de 3 km, até ao Pico da Nevosa.
A aventura começou bem cedo junto à Portela do Homem, equipados com a devida licença, do PNPG, roupa leve, bastante água e comida, que desse para todo o dia, pois contávamos com uma caminhada de 8horas, e bom calçado, (à excepção do Pimenta, que trouxe sapatilhas de ir ao centro comercial), arrancamos para a aventura.
Logo no inicio, vimos uma víbora cornuda a engolir um rã -tendo em conta que as recomendações do ICNF, para as mordeduras de víbora são “manter a calma, pois as mordeduras de víbora cornuda raramente são mortais”, não me parece que tenha corrido da melhor forma para a rã-.
O trilho é bastante pedregoso e sempre a subir até chegar ao planalto dos Carris, onde se encontra as, já há muito abandonadas, minas dos Carris, minas de volfrâmio (tungsténio), que atingiram o maior pico de actividade durante a II Grande Guerra.
Dali foi o ataque final ao cume, por trilho serpenteando pela fronteira, ora do lado de cá ora do lado de lá, até à escalada final e chegada ao Cume do Pico da Nevosa a 1546 metros.
É um local desagradável, frio, ventoso, perigoso e ainda para mais estava cheio de abelhas (vêm-se na foto), mas…
É no espírito que se sente, não interessa o cansaço, o frio nem o perigo, só a estranha sensação de missão cumprida, quando ainda se vai a meio do caminho (falta o regresso) e a esmagadora sensação de liberdade ao olhar à volta e contemplar a paisagem, uma espectacular vista sobre Portugal e Espanha. Vale bem a pena.
Na descida tudo normal, tirando as solas do Pimenta que continuavam cair aos bocados.
No fim, mais “pico” para o saco da colecção (peak bagging) e outra historia para recordar.

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