quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Pedras, Moinhos e Aromas de Santiago.

** Parece que vamos ter que criar uma Seção de PEDESTRIANISMO pois alguns mafarricos do BIKE17 ( eu, o Sérgio Fugas, Pimenta Saca Saca e Pedro Trilhos) ficamos com o bichinho.
** Após termos realizado em Setembro último, o espetacular e durinho TRILHO DAS MINAS DO CARRIS, em Pleno Parque da Peneda Gerês, com a conquista do 2º ponto mais alto de Portugal Continental, o PICO DA NEVOSA (1548 m), sendo este percurso da escolha do TRILHOS que estava no seu habitat natural (cuja crónica do artista em causa estará para breve... esperemos nós), desta vez optamos pelo PR1 em Soalhães, Marco de Canaveses.
** Um percurso de pequena rota circular, com cerca de 15 kms, de dificuldade média e a invocar sobretudo ao turismo de natureza, cultural e religioso. A escolha do dia não poderia ser mais acertada pois tivemos o sol a brilhar e a acompanhar-nos durante todo o percurso, com os ribeiros e fontes a correrem a todo o gás, incialmente fomos brindados com uma imagem espetacular e que nos acompanhou durante muito tempo, a autêntica cortina de algodão sobre o Marco de Canaveses, bem no alto de Soalhães, local onde inicia o percurso.
 ** Após as peripécias do último trilho, as quais serão retratadas em tempo oportuno pelo cronista acima citado, tínhamos novidades. Os Caminhantes tinham-se preparado convenientemente desta vez. O PIMENTA fez a estreia de uma mochila toda xpto que dá para levar todo o farnel e mais algum, e umas sapatilhas com biqueira de aço temperado e dupla sola em titãnio, contendo palmilhas em teflon e palha de aço, para não voltar a furar pelo percurso. Não levou foi bifes de sola de borracha para casa desta vez...
 Quanto ao TRILHOS, optou por não levar nem tacho (o que é inédito diga-se....), nem mochila, preparou à última da hora um suporte à Mac Gyver para o bidão, só falava na Tasquinha do Fumo, localizada em Almofrela, concluindo, o rapaz estava leve que nem uma pluma.
** Iniciamos então o percurso junto à igreja matriz de Soalhães,  pelas 09H20,
com o cartaz de visita a dar-nos as boas vindas e a anunciar-nos os principais pontos de interesses.
** A Capela de São Clemente e a sua panorâmica.
** As Pedras Brancas.
 
** O percurso está marcado contudo para ir visitar a Capela de Santiago , cujo miradouro é magnífico,convém ter em atenção, pois existe uma ponte de madeira com uma queda de água e moinhos e que fica meio escondida no local em que o trilho se une. Os mais distraídos seguirão logo para o ponto de interesse 5.
 ** Segue-se umas das partes mais espetaculares sem dúvida do percurso, se fosse de bike teríamos um bom bico de obra para ultrapassar a passagem pelos vários moinhos, numa constante escalada e equilibrismo no meio do curso de àgua e de trilho técnico, até ao primeiro moinho localizado no topo, simplesmente fenomenal!
 ** Antes de chegar a Almofrela, em plena Serra da Abobobeira,  eu e o Pimenta reabastecemos, o Pedro só perguntava. "Ainda falta muito para a Tasquinha????".
** Em Almofrela, tivemos dois contratempos: o 1º foi não visitar a Capela de São Brás, o ponto mais alto do percurso, pois seguimos sempre a sinalização do PR1 e pelos vistos devíamos ter desviado por outra rota até lá e o 2º, o mais GRAVE, quando chegámos por volta das 12H15 à Tasquinha do Fumo, muito recomendado nos roteiros, os responsáveis avisaram-nos que só serviam por encomenda, contudo poderíamos almoçar qualquer coisa mas só por volta das 13H. Ninguém nos mandou chegar cedo nem tampouco não antecipar esta situação, paciência, pelo que decidimos seguir caminho para não perder mais tempo. O TRILHOS é que não gostou muito!
 ** Seguimos pelo meio de bosque, num percurso bucólico, até chegar a um impasse!!!! O trilho encontra-se totalmente cortado por uma obra de terraplanagem. Conforme disse o homem, isto era muito fundo, tipo poço e como agora vai ser uma pista de motocrosse para motas., lá tivemos que desbastar terreno...
** Voltamos a entrar na rota, em que se pode ver muitas pedras de grandes dimensões e tipologias únicas, sendo que o restante do percurso é quase sempre em descida, dava para um excelente divertimento de bike.
** Finalmente e 4 horas e pouco depois, finalizamos o percurso. A vista panorâmica de Soalhães já era outra nesta altura.
 ** A barriga do TRILHOS já pedia um reforço adequado depois do esforço pelo que almoçamos logo ali num restaurante da vila.
** Mantendo a velha máxima que me ficou do Caminho de Santiago, que fiz a pé, "A Tartaruga conhece melhor o Caminho do que a Lebre", caminhar neste trilhos dá para  percorrer, sentir e desfrutar em pleno das gentes e de todo o nosso património (cultural, paisagístico, religioso, culinário, etc...), mantendo ainda a  forma física e tendo sobretudo o prazer de estar acompanhado de verdadeiros amigos.

MANUEL "Trepador" SOUSA.

 Fotos deste Passeio

terça-feira, 30 de setembro de 2014

O CAMINHO

** "As únicas pessoas que me agradam são as que estão loucas: loucas por viver, loucas por falar, loucas por salvarem-se."   JACK KEROUAC.

* Percorrer o CAMINHO é enfrentar e lutar contra os seus próprios medos.
*É conheceres pessoas nesse percurso de todas as idades, cantos do mundo, profissões e estratos sociais, com todas as motivações únicas para fazê-lo ou nenhumas em particular, sem quaisquer intenções de julgamentos ou juízos de valor sobre os outros.
* É dares-te conta que ficares desligado do mundano e do quotidiano é saboroso e ficares a refletir porque o mundo não está imbuído do espírito do CAMINHO pois teria muito mais a ganhar.
* É travares uma amizade fortuita com um casal espanhol das Canárias, os quais te acolheram de braços e corações abertos na sua jornada e com uma guerreira alfacinha de gema, com tom melífluo e que foi a tua muleta nas horas de aflição, de forma tão natural e sincera, que essas memórias e vivências nunca se apagarão da tua vida.
* É caminhares 6, 7 e 8 horas por dia, com uma mega mochila às costas, à chuva, ao frio, ao calor, pelas estradas, bosques, montes, sofrendo, rindo, refletindo, conversando, convivendo, conhecendo, amando, chorando, até chegares ao albergue, qual oásis ali plantado, tomares um duche e ficares rejuvenescido de novo, com a alma limpa.
* É ali dormires e mal, rezando para que o/a urso(a) do dia anterior não fique no teu beliche ou na cama ao lado, senão lá se vai o teu descanso noturno, vendo pessoal a aplicar a técnica do Louis de Funés.... na certeza porém que quando fores para casa, até irás sentir saudades dele(a)s.
*É aprenderes que os termos compeed, betadine, agulha, vaselina, halibut, meias sem costuras também se vão começar a aplicar a ti.
* É começares a ter a noção de que durante a tua caminhada, qualquer desvio de 100 metros que seja, para a fruta, café ou local para descobrir, passa a ser uma difícil e dúbia escolha.
* É a passo de tartaruga conhecer cada pedra, cada bosque, cada monte, cada igreja, cada ponte.
* É andares com as meias, cuecas, calças ao de penduro na mochila para veres o milagre de as conseguires enfim secar.
* É sentires e carregares toda a força e todo o ânimo quando mais precisavas dos teus familiares, amigos e grupo de malucos para conseguires lá chegar, .
* É reconheceres a Kms de distância o olhar alucinado e o andar já meio torcido do(a) peregrino(a).
*  É alcançares por fim a Catedral de Santiago, entrar triunfante na Praça do Obradoiro, deixando aí os teus sentimentos se libertarem livremente.
* É no fim de contas empreenderes uma viagem dentro do teu próprio ser...

* Se o CAMINHO é tudo isto e haja quem lhe chame Loucura, então faço questão de pertencer de corpo e alma a essa sã loucura!

Manuel Sousa
(Para Vós em especial Auxi, Germán, Carla, Margarida, e tantos outros "malucos(a)" que se cruzaram connosco nesta jornada inesquecível...).


Fotos deste Passeio

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Rota do Românico

*** Verdade seja dita, a intenção do anfitrião Sales era boa, ou seja, dar a conhecer a estes mafarricos (Pedro, Rui "Escolinha" Silva, Pimenta e Eu) os trilhos do Românico, em Penafiel.
*** Só que meus amigos, diz-nos a literatura secular do Betetista que existem regras e verdades insofismáveis, as quais seguidas à risca, tornam o risco elevado da aventura terminar abruptamente!

*** Uma delas reconhecereis de certeza: ter sempre cuidado com o nível de apetite e glutonaria dos mafarricos convidados que, no caso em apreço, tinha tudo já para correr bem que esta malta é de muito sustento...
*** Dizem os livros que a segunda verdade do Betetista é se porventura durante o caminho acontecer de te cruzares com um sítio adequado para almoçar, existindo a possibilidade de retemperar forças com umas boas litrosas de espadal fresquinhas, acompanhados de umas entradas de sustento, reforçando o bucho destes mafarricos uns pratos qb de rojões e bacalhau, o melhor que tens a fazer é assentar arreais que a oportunidade pode evaporar-se...
*** Ora, não há duas sem três, e estes mafarricos, para desespero do anfitrião, estavam determinados a seguir o protocolo literário, pelo que se puseram a jeito para a terceira regra: quando está muito calor e tens o bucho cheio, tens de praticar descanso rapidamente, de preferência à sombra de uma ramada...
** O tempo urgia e tinha de surgir outra das regras basilares do Betetista: já fizeste 30 Kms da espetacular Rota Românica, ainda faltam 20 Kms bem durinhos para finalizar, estás que nem podes, ora ainda bem então que tens uma estação de comboio a 5 minutos daqui para regressares a casa...
*** Ficou feita a promessa fraterna ao anfitrião de voltarmos para finalizar o trilho que é de muito relevo cultural e patrimonial.
*** Quanto a vós não sei mas tamanha azáfama acabou por me abrir o apetite, pelo que vos deixo com as fotografias do percorrido... 
Sousa "Trepador"

Fotos deste Passeio